O que importa mais: viver ou compartilhar o momento?


Somos seres relacionais e necessitamos da existência de um alguém que valide a nossa própria existência. O problema é quando o compartilhar se torna mais importante do que o vivenciar.

"Guarda-sol, cadeiras, petiscos, cerveja gelada, caipirinha e wi-fi!", sendo a ênfase sempre dada na última palavra. Esse tem sido o convite e o grande diferencial dos vendedores das barracas na Praia de Copacabana, mesmo que envolto a uma avalanche de dicas dos amigos e até da mídia para não andar com celular por ali sob o risco de roubo. Porque, afinal, que graça tem estar na praia mais famosa do Brasil se eu não posso registrar e contar para o mundo?


Lembrei-me de uma piada antiga em que um homem, perdido e sozinho, numa ilha deserta, encontra um gênio mágico que lhe dá o direito de fazer dois pedidos. No primeiro, ele pede a Sharon Stone, e no segundo, um amigo. E quando indagado do "porquê" desse amigo, ele é enfático em dizer: "Que graça teria passar a noite com a mulher mais desejada do mundo se eu não posso contar para ninguém?"


Pois bem, em ambos os casos a explicação é uma só: somos seres relacionais e necessitamos, o tempo todo, desde o nosso nascimento até a morte, do outro. Do reconhecimento, da aprovação e da existência de um alguém que valide a nossa própria existência.


A criança não sobrevive se um adulto não cuidar dela. O adolescente não forma sua identidade se não questionar os pais, os professores e todo mundo. E o adulto não se sente plenamente competente na sua profissão e em tudo o que faz se não receber uma palavra de reconhecimento. Até aqui, tudo muito natural e intrínseco ao ser humano.


O problema é quando esse compartilhar se torna mais importante do que o vivenciar. Estamos perdendo a capacidade de sentir de forma plena, fazendo uso dos nossos cinco sentidos – visão, audição, olfato, paladar e tato –, cada um dos momentos significativos de nossas vidas, simplesmente porque estamos preocupados com a foto, o post, a legenda e, principalmente, com o número de likes.


Nessa mesma ocasião da Praia de Copacabana, não por escolha, mas por precaução, eu estava sem meu celular. O dia estava lindo, a companhia agradável e quando me dei conta o sol estava se pondo num dos morros do Rio de Janeiro, encenando um dos espetáculos mais incríveis que os meus olhos podiam ver. É claro que eu senti falta do celular e pensei em milhares de ângulos para fazer o melhor click. Mas, já que não seria possível, procurei sair desse pensamento, que já vem de forma automática em minha mente, e me permiti sentir de fato aquele momento: os tons de vermelho, laranja e amarelo com que os raios iam pintando o céu; a temperatura da areia que ia ficando mais fresca e mais agradável; o barulho forte, mas ao mesmo tempo suave das ondas batendo nas pedras; e o perfume inconfundível da maresia. Tudo isso ia invadindo o meu ser e me fazendo me sentir viva, plena e feliz.


Mas, e a foto? Juro, que naquele momento, ela deixou de ser importante. Por meio de imagem, eu não poderei compartilhar aquele pôr-do-sol nem com você, nem com ninguém. Mas acabei de fazer isso por meio das minhas palavras. E, por que isso? Pela minha necessidade humana de dividir com o mundo um pouquinho da minha essência, e ser reconhecida por quem sou.


#relaçõeshumanas #conexãohumana #compartilhar #vivenciar #relacionamento

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