O que está por trás de tantos desencontros amorosos?

Por que será que as coisas têm ficado cada vez mais difíceis e mais descartáveis nessa área da vida? Onde será que estamos errando? Será que um dia isso vai melhorar?

Há tempos venho ouvindo de homens e mulheres, que estão na faixa entre os 30 e os 55 anos, que o mercado de solteiros tem ficado cada vez mais cruel. Cruel nesse caso quer dizer instável, volúvel, não confiável, superficial, descartável, e por aí vai. Ora, se estão todos – tirando aqueles poucos que talvez prefiram mesmo viver sós – procurando um parceiro com quem possam se encantar e dividir a vida, seja sob que tipo de contrato for, por que tantos desencontros? E, quando há o encontro, por que o vínculo não se forma, ou se forma, não se mantém por muito tempo? E por que esse fenômeno é cada vez mais crescente na pós-modernidade?


Tenho me debruçado sobre esse tema há algum tempo, pois estou certa de que vínculos sólidos e de qualidade são uma das condições mais relevantes para uma vida minimamente saudável e um pouco mais feliz. Mas se algo muito humano em nós nos impulsiona para essa busca, mesmo que inconscientemente, penso que talvez estejamos partindo do lugar errado.


Não há como negar, embora a maioria de nós tente, que estamos nos tornando cada vez mais egoístas, consumistas – inclusive no âmbito dos relacionamentos – e individualistas. Somos uma sociedade de direitos em detrimento dos deveres e, com isso, a noção de responsabilidade se desloca sempre para o outro, nunca para gente. Estamos perdendo a capacidade de enxergarmos qualquer coisa que não seja nós mesmos e, portanto, as nossas necessidades e desejos. Bem, infelizmente, desse jeito, partindo desse lugar, os encontros tendem a ser mesmo cada vez mais raros.


Então, de que lugar poderíamos partir? De largada mudando o discurso de: “Quero ser amado” para “quero amar”. Vocês conseguem perceber o abismo de sentido que existe entre essas duas frases? Na primeira, o sujeito é passivo; não há qualquer expressão da intenção de investimento ou de disponibilidade afetiva para o outro. Já a segunda, revela uma generosidade e uma disponibilidade que não se vê mais com frequência por aí. Lamento dizer, mas sem generosidade e disponibilidade não há encontro possível. O amor não germina em solo egoísta e narcísico. É preciso olhar para o outro e, de fato, enxergá-lo como outro, e não como extensão de nós mesmos. É fundamental que, primeiro, aprendamos a amar. E amar é se doar sem doer. Tanto.


Falarei melhor sobre isso no próximo post.


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