Diferença entre sentir e expressar amor


Sentir amor depende só da gente, expressar não. Quando é que vamos entender que amor e desejo são coisas distintas e que dá pra sublimar o desejo e preservar o amor?

Tenho falado muito sobre a urgente necessidade de a gente aprender a amar, sobre exercitarmos esse músculo sedentário que é o músculo do amor e sobre como as crises nas relações estão ligadas a nossa falta de habilidade para amar de verdade.


No texto “Amor vem de nós, e demora”, explico a diferença entre o que pensamos ser amor e o que chamo aqui de amor de verdade. Amor tem a ver com a nossa capacidade de gerar, nutrir e de cuidar desse sentimento dentro da gente. É a gente que decide se ele acaba ou não, se morre ou não, e é a gente também que decide o que vai fazer ou não com ele. E é aí que os enroscos costumam se dar.


Sentir amor depende só da gente. Expressar não. E sabe por quê? Porque aí esbarramos no limite do outro. É claro que temos todo o direito de dizer como nos sentimos. Temos o direito de declarar o nosso amor ou interesse para o outro, mas quando esse outro não quer receber ou não banca receber o nosso amor, aí não dá para insistir. É preciso respeitar os limites, os desejos e a decisão dessa outra pessoa. Agora, só por isso vamos deixar de amá-la? Quando é que vamos crescer e entender que amor e posse são coisas diferentes? Quando é que vamos entender que amor e desejo sexual também são coisas distintas e que dá para sublimar o desejo e preservar o amor? Sim, é claro que será preciso dar um tempo na relação para que os sentimentos sejam processados e elaborados. Ninguém deixa de desejar o outro do dia pra noite. Mas que é possível sublimar o desejo sexual e todos os outros possíveis desejos, e preservar o amor, isso eu garanto que dá. É possível e depende só da gente.


Transformar os desejos em amor é uma das coisas mais maravilhosas que podemos fazer pelo outro, por nós mesmos e pela relação. Pelo outro, porque seremos capazes de desejarmos genuinamente que ele seja feliz, que se desenvolva, que cresça e que se torne uma pessoa autônoma, bem sucedida na vida e nas relações, e “que seja sempre amada, mesmo que distante”, como diz Oswaldo Montenegro em seu poema “Metade”; por nós mesmos, porque será dentro da nossa alma que esse sentimento fará morada, e se ele morar dentro da gente poderemos evocá-lo a qualquer momento, e ao evocá-lo é o nosso próprio corpo, nossas memórias e autoestima que serão inundados por um sentimento poderoso de bem estar e de alegria, pois veremos que estamos evoluindo em nossa capacidade de amar; e pela relação, porque sempre haverá um laço poderoso entre você e a pessoa amada, mesmo que vocês não convivam e não se falem mais. Isso faz com que não haja perdas. Se for alguém com quem você possa conviver de alguma forma, tanto melhor. Mas o amor de verdade não está na concretude das relações, mas no profundo e imenso desejo de bem querer.


Vou citar novamente o meu querido Oswaldo Montenegro, a quem não conheço pessoalmente, mas a quem escolho amar pelo valor de sua obra:

“Onde vá

Onde quer que vá

Leva o coração feliz

Toca a flauta da alegria

Como doce menestrel

Onda vá,

Onde quer que eu vá

Vou estar de olho atento

A tua menor tristeza

Por no teu sorriso o mel

Onde vá

Vá para ser estrela

As coisas se transformam

E isso não é bom nem mal e onde quer que eu esteja

O nosso amor tem brilho vou ver o teu sinal”.


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