Amar é se doar sem doer

A gente já cansou de ouvir que para amar alguém é preciso antes aprender a se amar. Mas o que será exatamente que isso quer dizer? Como é amar a si? Não seria isso o que a gente mais tem feito nos últimos tempos? Praticar o amor “próprio” de forma quase narcísica? Bem, a coisa parece mesmo bastante confusa, mas vamos tentar por um pouco mais de ordem nesses conceitos.


Amor próprio está intimamente ligado a autorrespeito, autocuidado e a capacidade de nos responsabilizarmos pelas escolhas que fazemos, sejam elas conscientes ou não. Para se amar é preciso se conhecer com profundidade; conhecer como cada um de nós funciona; como reagimos, a que reagimos e por que reagimos da forma como costumamos reagir às coisas que nos acontecem e às pessoas com as quais nos relacionamos; é preciso conhecer o que nos afeta e porque somos afetados por essas coisas; é preciso reconhecer e admitir que cada um de nós percebe a vida de um determinado jeito e que, muitas vezes, distorcemos as coisas que percebemos. Portanto, é imprescindível que conheçamos e nos responsabilizemos pelas distorções que fazemos e que são provocadas com base no nosso universo interno, o qual foi constituído a partir das interpretações que fizemos da criação, da educação, da cultura, das experiências, das referências, dos modelos e das relações que tivemos.


Uma pessoa só começa a aprender a se amar de verdade à medida que vai entrando em contato com todos esses aspectos de sua dinâmica de funcionamento, e vai, ao longo do processo, modificando nela o que for possível mudar, aceitando o que não for e, principalmente, desenvolvendo recursos para lidar com os acontecimentos da vida de maneira mais criativa e com o mínimo de distorções possíveis. Só assim – lidando com o real e vivendo nele – é possível começar a se amar e a dar soluções de amor para as vicissitudes da vida. Só assim é possível exercer o autorrespeito e o autocuidado.


Quando alguém atinge esse nível de percepção, o respeito por si e pelos outros vai brotando naturalmente. A pessoa passa a compreender melhor quais são os seus limites e cuida para que seu espaço seja preservado; ela deixa de se submeter à pressão, aos desejos e aos caprichos das outras pessoas só para agradá-las e para se sentir aceita por elas; começa a dizer “não” com mais facilidade e, às vezes, até com certa doçura; passa a se posicionar diante dos acontecimentos e dos outros com mais segurança e assertividade; sua postura muda, ela deixa de atribuir aos outros a responsabilidade pelas coisas que acontecem com ela e, com isso, começa a cuidar de si a partir de uma nova perspectiva – terreno fértil para a autoestima crescer fortalecida.


É assim, com esse respeito por si, que é possível se doar sem doer. Só se doa sem doer quem está consciente do que está doando e da motivação que o move. Doa porque quer; porque ama; porque sabe que não está violando seus direitos, seu espaço, seus limites; doa pelo simples prazer de doar; porque aprendeu a ter para si para poder dividir, aprendeu a ceder, a compartilhar, a colaborar e porque aprendeu a se realizar e a se alegrar com o contentamento do outro.




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