Ser adulto é chato?

Quando os adolescentes estão com medo de crescer, fica a dúvida: será que estamos passando a imagem de que a vida adulta é chata? Ou estamos de fato vivendo uma vida chata?

Tenho me deparado com um número crescente de adolescentes que trazem como questão principal o grande medo que possuem de crescer, de se tornarem adultos. O que me tem feito pensar: Será que estamos passando uma imagem de que a vida adulta é chata? Ou será que estamos de fato vivendo uma vida adulta chata?


É claro que até certo ponto esse receio é normal. A partir do momento em que as responsabilidades começam a aumentar, a tendência é de ficar saudoso do tempo em que não se tinha nenhuma preocupação, além de brincar, e que a escolha mais difícil que precisava fazer era entre pega-pega ou esconde-esconde, sorvete de morango ou de chocolate, par ou ímpar.


Por outro lado, na mesma proporção em que se aumentam as responsabilidades, também aumenta a liberdade. Liberdade para ser quem é, para abrir mão de valores que nunca se encaixaram no seu eu, para fazer escolhas importantes como a profissão e o parceiro.


Não me parece que escolher entre sabores e brincadeiras seja mais interessante que escolher quais caminhos você quer seguir na vida. Ainda mais para um adolescente. Mesmo que isso implique em mais responsabilidades.


E no diálogo com eles, começo a perceber que os exemplos de adultos que têm em casa não são exatamente inspiradores. Dos frustrados que só reclamam aos workaholics que mal encontram a família, os pais têm se perdido em seus próprios valores e sentidos e, no lugar dos idealizados super-heróis do imaginário infantil, vêm se tornando o grande motivo para a “crise de Peter Pan” de seus filhos.


Se o seu filho não quer crescer porque não quer ter uma vida chata como a sua, talvez esteja na hora de repensar a sua vida, não? E nesse caso, o motivo principal deixa de ser o exemplo que se espera de um pai ou de uma mãe, mas o que, de fato, você está fazendo com a sua própria vida.


Talvez esteja na hora de reclamar menos e agir mais; de ter coragem para ir atrás do que faz sentido – mesmo que isso implique em recomeços –; de se despir de tabus, preconceitos e fórmulas mágicas de sucesso; de se permitir ter tempo livre; de se dedicar a um hobby ou até transformá-los em ganha-pão – por que não? –; e de resgatar aquela criança que está adormecida dentro de você, mas que com certeza, se despertada, te fará voltar a brincar, sorrir e enxergar beleza na vida.


E depois de tudo isso, duvido que o seu filho vá continuar com medo de crescer.


#afeto #relacionamento #terapia #relaçõeshumanas

POSTS RECENTES

POSTS RELACIONADOS

Posts em breve
Fique ligado...

REDES SOCIAIS

  • Grey Facebook Icon
  • Grey Twitter Icon