Sexo casual e sexo entre amigos



Você já se perguntou isso alguma vez? São coisas distintas? O quanto nossas vidas afetivas e sexuais poderiam ser mais ricas e nutritivas? Ser criativo é fundamental...

Dia desses, me peguei pensando sobre a diferença que vejo entre essas duas coisas: sexo casual e sexo entre amigos. Num primeiro momento a única coisa que me veio à mente foi a diferença entre quem é o outro da relação: se é alguém que acabamos de conhecer ou se é alguém que já conhecemos há algum tempo e por quem já nutrimos algum tipo de afeto. Mas depois percebi que as diferenças vão muito além...


Sempre acreditei que existem várias maneiras de expressar carinho, cuidado e amor, e cada uma delas irá depender do tipo de relação e de vínculo que existe entre um “eu” e um “você”, e de fatores como: disponibilidade; abertura; maturidade e habilidade para se fazer, cumprir e renegociar acordos. A comunicação, como em todo tipo de relação, é crucial, pois qualquer mal-entendido pode custar uma amizade.


O sexo entre amigos pode ou não ser casual. É casual quando não há qualquer tipo de compromisso e o objetivo principal é a vivência de uma sexualidade livre, divertida, despretensiosa, mas também muito afetiva, calorosa, carinhosa e amorosa. Não é casual quando falamos de dois companheiros que apesar de já selarem um compromisso amoroso, formal ou não, continuam sendo grandes amigos.


Já o sexo casual, no meu entendimento, é aquele que acontece entre pessoas que acabam de se conhecer ou que fazem questão de não desenvolverem qualquer tipo de ligação afetiva entre eles. É o sexo pelo sexo, o desejo pelo desejo. E tudo bem. Cada um sabe, ou deveria saber, da sua necessidade, das suas fantasias e das suas vontades. O problema existe quando alguém topa fazer sexo casual esperando receber algum tipo de ligação afetiva dessa relação. Aí o sentimento posterior de vazio e de frustração costuma ser certeiro. E isso acontece aos montes por aí...


Voltemos ao sexo casual entre amigos. Eu, particularmente, acho essa opção bastante interessante. É uma maneira de exercer a sexualidade e também a afetividade. Os dois saem nutridos de uma experiência como essa. Claro que estou falando de duas pessoas que se gostam, que se admiram, que se respeitam e que sejam minimamente amadurecidas. Não há compromisso ou cobrança entre elas, só a vontade de estarem juntas quando der e nenhuma vergonha, medo ou pudor de mostrarem o que sentem uma pela outra.


Essas relações podem ou não evoluir para algo mais sério. Se evoluírem, terão chances maiores de darem certo, pois as idealizações e fantasias a respeito um do outro serão menores. Caso não evoluam para um compromisso maior, as soluções para esses tipos de acordos também tendem a ser mais suaves: ou a necessidade de expressão do afeto através do sexo vai diminuindo, dando lugar a outras formas de expressão; ou um dos dois acaba se envolvendo com uma terceira pessoa, ficando indisponível para esse tipo de troca. E se a amizade for sincera, bem como for genuíno o desejo de bem-querer, o outro vai sentir, mas vai entender. A relação passará por transformações e o afeto poderá ser preservado.


Uma coisa muito comum de acontecer nesses tipos de arranjos é o casal de amigos ir percebendo ao longo da convivência o quanto suas características são compatíveis ou não. Se forem, ótimo, a intimidade, cumplicidade e entendimento entre eles só tendem a crescer; se não forem, ambos os parceiros vão se dando conta de que ir além de uma amizade como essa pode pôr tudo o que eles construíram em termos de afetividade a perder. Eles mesmos vão percebendo que esse tipo de afeto é o máximo que um pode oferecer ao outro, e tudo bem também. Os desfechos dessas histórias têm tudo para acontecer naturalmente, sem que haja mágoas ou ressentimentos entre o par, pois eles já entenderam que não funcionariam bem juntos.


Às vezes, a vida demora a nos brindar com o encontro com aquele – ou aquela – que estará disponível, pronto, aberto e disposto a se comprometer numa relação duradoura conosco. Mas ela está sempre nos presenteando com pessoas maravilhosas, com as quais podemos desfrutar de momentos preciosos, únicos, de grande afetividade e de enorme aprendizado. São encontros casuais entre amigos que nos mantém preenchidos de carinho e de força para continuarmos seguindo os nossos caminhos, sejam eles juntos ou não. É também uma forma inteligente de nos mantermos nutridos de bons afetos, pois quando o grande encontro chegar, não estaremos carentes demais e poderemos ter maior controle sobre possíveis instintos vorazes. É comum ouvir por aí: “Enquanto o certo não vem, divirta-se com o errado”. Acho essa uma forma bastante pejorativa de tratar a questão. Prefiro: “Enquanto o compromisso não vem, aprimore-se, nutra e seja nutrido pelos outros queridos e amados ‘certos’ que vão te preparar para a vida”.


O segredo para isso dar certo é – além da transparência e da honestidade – nunca esperar mais do que a outra pessoa ou a relação pode nos dar. Quando aprendermos a receber e a aceitar o que cada um pode nos oferecer, aí, talvez, nos tornemos pessoas mais hábeis na arte de nos relacionarmos e de nos mantermos nutridos.

#terapia #relacionamento #serhumano #conexãohumana

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