Qual é o amor verdadeiro?


Quando um artista de rua nos faz questionar sobre a atenção que temos dado ao outro. O quanto estamos de fato escutando as pessoas da nossa vida?

Certa vez, eu estava com duas amigas em um bar e, enquanto pagávamos a conta, fomos abordadas por um artista de rua: "Vocês gostam de poesia?", ele perguntou. Balançamos a cabeça positivamente. "Posso ler uma para...". Antes mesmo que ele terminasse a frase: "É que a gente está com pressa". Resposta pronta de sobrevivência em São Paulo, mas a gente de fato estava, um pouco. "Então, posso só fazer uma pergunta?", concordamos e esperamos. "Qual é o amor verdadeiro?". Eu confesso que travei por alguns segundos, não é bem uma pergunta para ser respondida às pressas. Mas as meninas começaram a fazer algumas tentativas para matar a charada: "Amor de mãe!", "Amor de irmã!", "Amor de amiga!" – e todos aqueles amores que as Malévolas e Elzas, as nossas heroínas modernas, têm nos ensinado. Ele olhou bem para cada uma de nós e disse: "Amor verdadeiro é isso que vocês estão fazendo aqui e agora, conversando comigo e sorrindo. Amor verdadeiro é o amor ao próximo." – me arrependi de ter falado que estava com pressa e de não ter escutado a poesia dele.


Por que a vida está assim? Quando foi que paramos de prestar atenção ao outro? Quando foi que aquilo que o outro tem a nos dizer deixou de ser importante? Na história acima, estamos falando de um desconhecido que, para além da lição que nos deu, já era merecedor da nossa atenção. Mas, se pararmos para pensar, e no nosso dia a dia? O quanto estamos, de fato, escutando o que as pessoas queridas da nossa vida têm a nos dizer?


Ouvir é diferente de escutar. Não podemos deixar de ouvir se não temos nenhum problema de audição, os sons simplesmente vão chegar e o processo auditivo vai acontecer. No entanto, escutar é diferente. Escutar é ouvir com atenção. Escutar é ouvir com empatia. Escutar é ouvir com amor.


Outro dia escutei uma frase que dizia: “Se escutássemos ao menos um décimo do que falamos, muitos conflitos seriam resolvidos e o mundo certamente seria um lugar melhor”. Faz sentido. Na sociedade do consumo e da competitividade, as pessoas estão brigando para ter voz, o que não deixa de ser digno, mas estão esquecendo que a voz do outro é tão importante quanto a sua própria voz. Mesmo que você discorde da outra voz, é preciso escutá-la, é uma questão de respeito. Até porque não seria possível discordar se não houvesse escuta. Se não há escuta, não há diálogo. E se não há diálogo, como esperamos nos relacionar?


Dessa forma, seja com o seu parceiro, os seus filhos, os seus pais, os seus colegas de trabalho, os seus amigos ou até mesmo com aquele artista de rua que vai abordá-lo em algum bar por aí, que tal praticar a escuta? Que tal dar atenção e importância àquela voz? Ou que tal praticar o amor verdadeiro? Tenho motivos fortes para acreditar que o outro não será o único beneficiado. A troca é sempre cheia de riqueza. E é nela que se encontra a beleza das relações.


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